oi?

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surdo

Você não precisa ser um grande conhecedor de música para já ter ouvido falar de Ludwig van Beethoven. Uma das curiosidades mais populares a sobre a vida e a carreira desse gênio é a respeito da suposta surdez do compositor, mas será que Beethoven já era surdo quando compôs suas grandes obras? Quão surdo ele era? Você sabe?

Nascido em 1770, Beethoven se apaixonou por música quando ainda era criança e teve influências de seu pai, um tenor que também dava aulas de piano e violino. Não é à toa que Beethoven era considerado um prodígio no quesito musical – a primeira vez que ele se apresentou em um concerto foi quando tinha apenas sete anos!

Ao longo de sua vida, esse gênio da música acabou sendo influenciado por outros grandes compositores, como Christian Gottlob Neefe, que o ensinou como compor. Foi desde pequeno que Beethoven aprendeu a gostar de orquestras – muitas de suas composições favoritas eram de Mozart, que foi objeto de seus estudos, assim como Bach. Em 1791 Beethoven já havia composto muitos de seus trabalhos mais famosos.

Início

Sua primeira apresentação pública em Viena foi em 1795, quando já era famoso por ser um ótimo pianista. Até aí, ao que tudo indica, Beethoven tinha uma audição perfeitamente normal. O problema parece ter começado mesmo em 1796, quando as primeiras referências sobre zumbidos foram encontradas em cartas escritas pelo compositor.

Foi somente em 1801,no entanto, que Beethoven documentou evidências de que estaria ficando surdo, ao escrever para seu médico. Na carta, ele diz que sua audição estava ficando cada vez pior, fato que Beethoven havia reparado nos últimos três anos. O compositor falou que já estava em um nível em que precisava ficar muito próximo a uma orquestra para entender as composições. Beethoven disse também que já estava muito difícil ouvir pessoas falando normalmente – ele dizia que ouvia um som, mas não as palavras claramente.

A causa da surdez do gênio da música ainda é desconhecida, ainda que existam diversas teorias a respeito. Entre as hipóteses estão sífilis e o costume que o compositor tinha de mergulhar sua cabeça em um balde de água fria sempre que se sentia cansado.

Períodos

Também não se sabe quando é que Beethoven ficou completamente surdo, mas há evidências de que a situação era tão grave que as pessoas tinham que gritar ao ouvido dele – isso já em 1810. A partir daí, a situação só teria piorado. Sabe-se que o compositor continuou procurando ajuda médica até 1822, quando finalmente aceitou que nunca mais teria uma audição perfeita.

O trabalho de Beethoven e geralmente dividido em três períodos que refletem a gradual piora de seu quadro auditivo. O primeiro corresponde às suas composições primárias, de quando ela ainda era criança. Nessa fase, as notas usadas por ele eram as mais altas. Dessa época, seus trabalhos mais conhecidos são a Primeira Sinfonia e a Segunda Sinfonia.

O período do meio teve início nos anos de 1820, quando o compositor já tinha problemas sérios de audição. Suas composições dessa fase são caracterizadas pelas notas mais baixas, assim ele ainda conseguia ouvir o que estava criando. Entre as composições desse período estão Moonlight Sonata, Fidelio e a Sexta Sinfonia.

Fim.

(Fonte)

O Primeiro Abraço

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Todos os seres vivos precisam de carinho e amor para viverem felizes. Mas como será que se sentem os animais que vivem na rua? Privados das coisas mais básicas à existência de vida, como a água e a comida, esses animais muitas vezes nem sequer chegam a experienciar momentos de carinho em suas vidas.

É verdade que eles são livres e sua casa é o mundo inteiro mas eles também estão expostos a todos os perigos, já para não falar que muitos deles nascem e morrem na rua, sem nunca sentirem o amor de um humano.

É muito simples abraçar um animal. Foi com base nessa frase que surgiu a ideia de “The First Hug” (O Primeiro Abraço), onde um jovem passa o dia abraçando e dando carinho a animais de rua carentes. Pacientemente ele chama os caninos e aos poucos vai ganhando sua confiança. 

 

Como Sentir Empatia

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A empatia é a habilidade de sentir o que os outros sentem e é o segredo para construir relacionamentos significativos e conviver em paz com outras pessoas. Alguns nascem com uma habilidade natural de sentir empatia e outros têm mais dificuldade de se relacionar. Se você acha que precisa desenvolver sua empatia, há muitas coisas que pode fazer para melhorar nesse aspecto. Esse artigo discute o que é a empatia e passos para tomar imediatamente para se tornar mais empático.

 

Parte 1

Entrando em contato com sua empatia

  1. Entre em contato com suas próprias emoções. Para sentir emoções junto com outras pessoas, é preciso conseguir senti-las primeiro. Você está conectado com seus sentimentos? Nota quando está se sentindo feliz, triste, bravo ou assustado? Você deixa essas sensações virem à tona e serem expressadas? Se você tende a reprimir suas emoções em vez de deixá-las fazer parte de sua vida, trabalhe para senti-las mais profundamente.

    • É muito comum evitar sentimentos negativos. Por exemplo, é mais divertido se distrair com a televisão ou ir para o bar do que sentar e pensar sobre algo chato que aconteceu. Mas deixar essas emoções de lado cria uma desconexão ou falta de familiaridade. Como você espera sentir a tristeza de outra pessoa quando não consegue expressar a sua própria?
    • Tire um tempo todos os dias para deixar as emoções fluírem. Em vez de bloquear os sentimentos negativos de maneira apressada, pense sobre eles. Fique bravo ou com medo e lide com os sentimentos de forma saudável, chorando ou escrevendo seus pensamentos ou discutindo o assunto com um amigo.
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    Escute com mais atenção. Ouça o que a pessoa estiver falando e note a inflexão na voz. Observe os pequenos sinais que indicam como a pessoa está se sentindo. Pode ser o lábio tremendo e os olhos brilhando. Talvez seja algo mais sutil, ela pode olhar muito para baixo ou parecer ausente. Esqueça-se de você por alguns instantes e absorva a história das pessoas.

    • Não julgue enquanto escuta. Se você começar a se lembrar de uma desavença que teve ou se sentir crítico em relação às escolhas da pessoa ou de qualquer forma que o tire do momento, se esforce para voltar para o modo ouvinte.[1]
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    Finja que é a outra pessoa. Você já leu uma história emocionante e tão envolvente que acabou se esquecendo de si mesmo? Você se tornou o personagem por alguns momentos e sabia exatamente como se sentiria vendo seu pai pela primeira vez em 10 anos ou perdendo algum ente querido. Sentir empatia pessoalmente não é muito diferente. Quando estiver escutando alguém e quiser muito compreender, chegará um momento em que vai sentir o que a outra pessoa está sentindo. Você terá um lampejo do que significa ser o outro.
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    Não tenha medo de ficar desconfortável. A empatia pode ser dolorosa! Absorver a dor de outra pessoa pode machucar e o comprometimento profundo exige um grande esforço. Talvez por isso ela esteja desaparecendo – é simplesmente mais fácil manter conversas leves para continuar na zona de conforto. Se quiser ser mais empático, não fuja do sentimento das pessoas. Aceite que elas terão um efeito sobre você e que poderá se sentir diferente depois. No entanto, terá uma compreensão mais profunda sobre a outra pessoa, formando uma base para a construção de uma conexão sólida.
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    Mostre a outra pessoa que se importa com ela. Faça perguntas que demonstrem que está escutando. Use a linguagem corporal para mostrar que está comprometido: faça contato visual, incline-se um pouco, não fique inquieto, balance a cabeça ou sorria em momentos apropriados. Todas essas atitudes são formas de demonstrar empatia no momento para que a pessoa que está compartilhando os sentimentos crie confiança em você. Se estiver distraído, desviar o olhar ou der sinais de que não está prestando atenção ou não está interessado, a pessoa provavelmente vai parar de desabafar.

    • Outra maneira de demonstrar empatia é compartilhar algo sobre você também. Ficar tão vulnerável quanto a outra pessoa pode gerar confiança e conexão mútuas. Abaixe sua guarda e se envolva na conversa.
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    Use a empatia para ajudar outras pessoas. Ser empático com alguém é uma experiência enriquecedora e é positivo deixar que esse conhecimento adquirido influencie suas próximas ações. Talvez isso signifique defender alguém que sofra constantes provocações, já que agora você consegue entender melhor aquela pessoa. A forma como você se comportará quando conhecer alguém ou seu ponto de vista em determinados assuntos políticos e sociais pode mudar. Deixe a empatia influenciar a maneira que você se comporta no mundo.
 Parte 2

Desenvolvendo uma empatia maior

  1. Esteja aberto para aprender mais sobre algo que não entende. A empatia surge a partir da vontade de saber mais sobre outras pessoas e outras experiências. Tenha curiosidade sobre a vida dos outros. Tenha como objetivo aprender o máximo que puder sobre outras pessoas todos os dias. Aqui vão algumas formas de estimular sua curiosidade:

    • Viaje mais. Quando visitar lugares desconhecidos, tente passar mais tempo com os locais e descubra mais sobre o modo de vida deles.
    • Converse com desconhecidos. Quando estiver sentado ao lado de alguém no ônibus, puxe assunto em vez de enfiar a cara em um livro.
    • Saia da rotina. Se você tem uma tendência a conviver com as mesmas pessoas e frequentar os mesmos lugares sempre, dê uma variada e comece a fazer novos amigos. Expanda um pouco seu universo.
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    Faça um esforço maior para sentir empatia por pessoas das quais não gosta. Se perceber áreas com pouca empatia, tente mudar a maneira como se sente ou pelo menos ter um entendimento maior sobre pessoas e grupos dos quais não gosta. Assim que sentir repulsa por alguém, pergunte a si mesmo o porquê. Decida que, em vez de falar mal ou evitar aquela pessoa, você se colocará no lugar dela. Descubra o que pode aprender sendo empático com pessoas das quais não gosta.

    • Lembre que mesmo não conseguindo chegar a um acordo, ainda é possível sentir empatia. Você pode sentir empatia por alguém que não gosta. E quem sabe se abrindo um pouco possa encontrar motivos para mudar de ideia sobre aquela pessoa.
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    Pergunte às pessoas como elas se sentem. Essa é uma maneira simples de gerar empatia no dia a dia. Em vez de evitar as conversas emotivas, pergunte aos outros sobre seus sentimentos com mais frequência, e ouça as respostas de verdade. Isso não significa que toda conversa tenha que ser profunda, solene e filosófica. Mas perguntar às pessoas como elas estão se sentindo pode ajudar você a se envolver verdadeiramente e realmente enxergar a pessoa com quem está conversando.[2]

    • O outro lado da moeda é responder com mais sinceridade quando alguém perguntar como você se sente. Em vez de dizer Bem! quando na realidade está triste, por que não dizer a verdade? Veja o que acontece quando você expressa suas emoções em vez de reprimi-las.
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    Leia e assista mais ficção. Absorver um monte de histórias em forma de novelas, filmes e outras mídias, é uma boa maneira de desenvolver seu senso de empatia. Estudos mostram que a literatura ficcional melhora a habilidade de ser empático na vida real.[3] Ela ajuda a criar o hábito de imaginar como seria sua vida na pele de outra pessoa. A catarse de rir e chorar com um personagem pode fazer com que você fique mais emocionalmente aberto para as pessoas.
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    Pratique a empatia com alguém de sua confiança. Se estiver com dificuldade para descobrir se você é empático, treine com alguém. Explique à pessoa que você está tentando trabalhar essa característica para que ela entenda se você não se sair bem. Peça a essa pessoa para dizer como se sente e treine os passos acima. Diga como você se sente em relação ao que ela lhe contou.[4]

    • Veja se os sentimentos correspondem. Se a pessoa expressou tristeza e você se sentiu triste enquanto ela estava falando, você interpretou as emoções corretamente.
    • Se os sentimentos não corresponderam, talvez você deva ficar um tempo se dedicando a entrar em sintonia com seus próprios sentimentos e praticando o reconhecimento das emoções de outras pessoas
Parte 3

Entendendo o poder da empatia

  1. Veja isso como um compartilhamento de emoções. A empatia é a habilidade de sentir junto com alguém. Ela exige que você ultrapasse a superfície e experimente as mesmas emoções que outra pessoa. É fácil confundir empatia com simpatia, que é sentir pena de alguém em um momento difícil e tomar uma atitude para ajudar. Mas a empatia vai além: em vez de sentir por alguém, você sente com alguém.

    • Por exemplo, digamos que sua irmã começou a chorar quando estava contando que o namorado terminou com ela. Vendo as lágrimas caírem e ouvindo ela descrever o que houve, você sente sua própria garganta fechar. Você não sente apenas dó dela, você também se sente triste. Isso é empatia.
    • Outra forma de enxergar a empatia é como um entendimento compartilhado, uma habilidade de se projetar na experiência de alguém. A ideia de tentar andar uma longa distância usando os sapatos de alguém é uma boa descrição da empatia.
    • Ser empático significa compartilhar qualquer tipo de emoção – não precisa ser negativa. É estar sintonizado com todos os sentimentos e emoções de alguém para ter uma noção de como é ser aquela pessoa.
  2. Entenda que você pode sentir empatia por qualquer um. Não é preciso ter uma história parecida para sentir empatia, pois ela não significa dividir um entendimento por já ter passado pela mesma situação. Aliás, é possível ter empatia por pessoas com as quais você não tem nada em comum. Ser empático é sentir o que a outra pessoa está sentindo – o que quer que seja. Não precisa ser algo que já sentiu antes.

    • Isso significa que você pode sentir empatia por qualquer pessoa. Um jovem pode sentir empatia por uma pessoa idosa em um asilo, ainda que nunca tenha passado por aquilo. Uma pessoa rica pode ter empatia por um sem-teto, mesmo que sempre tenha tido casa e comida. Você pode sentir empatia por um desconhecido no trem do outro lado da rua.
    • Para explicar de outra forma, ser empático não significa imaginar como seria a vida de alguém – significa realmente sentir como é a vida para alguém, em um nível emocional.
  3. Entenda que não é preciso concordar com alguém para sentir empatia por ele. Aliás, é possível ser empático com alguém com quem você discorda completamente e até mesmo de quem não gosta. Essa pessoa também é humana e tem as mesmas emoções que você. Pode não ser fácil, mas é possível sentir empatia pela dor e sofrimento daquela pessoa, assim como sentiria por alguém que ama.[5]

    • Por exemplo, digamos que seu vizinho é contrário aos seus ideais políticos e sempre diz coisas que você considera totalmente erradas. Mesmo se visse ele machucado, iria acudi-lo.
    • Pode ser ainda mais importante desenvolver a habilidade de sentir empatia por pessoas que não gosta. A empatia ajuda a enxergar todas as pessoas como seres que precisam de amor e consideração, independente de qualquer coisa. Ela cria a possibilidade de paz.
  4. Esqueça a regra do não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você. George Bernard Shaw disse: Não tente tratar os outros como gostaria de ser tratado – os gostos podem ser diferentes. A “regra de ouro” não se aplica quando se trata de empatia, pois ela não ajuda a entender como é ser a outra pessoa. Ser empático significa abrir a si mesmo ao ponto de vista de outra pessoa e seus gostos, em vez de impor a ela sua própria experiência e ideias.

    • Pensar em como gostaria de ser tratado pode servir como ponto inicial pra o respeito e a conscientização, mas, para ser empático você deve ir além. É um desafio colocar isso em prática e pode ser desconfortável, mas quanto mais você fizer, mais entenderá as pessoas ao seu redor.
  5. Entenda por que a empatia é importante. Ela melhora a qualidade de vida tanto no nível pessoal quanto social e te ajuda a se sentir mais conectado com as pessoas ao seu redor e a criar um senso de significado compartilhado. Além disso, a habilidade dos humanos de sentir empatia por pessoas diferentes de si mesmos traz enormes ganhos sociais. Ela ajuda indivíduos e grupos a superarem o racismo, a homofobia, o sexismo, o classicismo e outros problemas da sociedade. É o alicerce para a cooperação social e ajuda mútua.[6] Sem empatia, onde estaríamos?

    • Um estudo recente demonstrou que o nível de empatia entre colegas estudantes caiu 40% nos últimos 20 a 30 anos.[7] Isso sugere que a empatia é, pelo menos em partes, algo que pode ser aprendido e desaprendido.
    • Ao entrar em contato com seu senso de empatia e fazer dele uma prioridade todos os dias, você pode melhorar sua habilidade de ser empático – e ver como sua vida melhora em consequência disso.

Dicas

  • Use sua percepção e suas emoções como referência e também para dar sugestões.
  • A empatia não é um processo físico e definido. Ela pode ser espontânea (inclusive indesejada) ou pode acontecer pelo simples vislumbre de um acontecimento.
  • É provável que você não consiga formar um panorama completo, mas isso não é um problema.
  • Ela exige um mente ativamente solidária para funcionar adequadamente. E nem sempre funciona.
  • Se estiver com dificuldade para imaginar uma situação, tente fazer uma comparação com uma experiência própria semelhante àquela que está tentando visualizar.
  • Não acredite que somente a sua visão da situação é a correta; todos terão pontos de vista diferentes.

Avisos

  • Se as emoções forem fortes o suficiente, elas podem lhe deixar com sentimentos parecidos depois. Isso pode ser perigoso no caso de uma situação deprimente. Se acontecer, não se preocupe, tente pensar em lembranças felizes para combater a empatia depressiva com empatia alegre.

dechen

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Criamos manuais para quase qualquer coisa e pensamos que podemos planejar absolutamente tudo, afetando desse modo a nossa capacidade criativa, de pensar e de sentir. O curta a seguir nos ensina que é fundamental parar de interferir no que é natural se quisermos evoluir e crescer.

Gostamos muito de ser controladores e ter o controle sobre as coisas. Vivemos com a intenção de manipular cada detalhe, queremos que as coisas funcionem como pensamos e tentamos fazer valer nossos planos. Mas a verdade é que se pretendemos que nossos projetos se desenvolvam, temos que ser conscientes de que não podemos estar totalmente seguros sempre de que o que queremos fazer e o que decidimos vai dar certo.

Mude

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Mas comece devagar, porque a direção
é mais importante que a velocidade.
Mude de caminho, ande por outras ruas,
observando os lugares por onde você passa.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Descubra novos horizontes.

Não faça do hábito um estilo de vida.

Ame a novidade.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,
o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
Busque novos amigos, tente novos amores.
Faça novas relações.
Experimente a gostosura da surpresa.
Troque esse monte de medo por um pouco de vida.
Ame muito, cada vez mais, e de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, de atitude.

Mude.
Dê uma chance ao inesperado.
Abrace a gostosura da Surpresa.

Sonhe só o sonho certo e realize-o todo dia.

Lembre-se de que a Vida é uma só,
e decida-se por arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação, um trabalho mais prazeroso,
mais digno, mais humano.
Abra seu coração de dentro para fora.

Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.

Exagere na criatividade.
E aproveite para fazer uma viagem longa,
se possível sem destino.
Experimente coisas diferentes, troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você conhecerá coisas melhores e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento, a energia, o entusiasmo.

Só o que está morto não muda !

Edson Marques

 

 

Como entrar em desacordo

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discordar

A internet transformou a escrita em conversação. Há vinte anos, escritores escreviam e leitores liam. A internet permite que seus leitores respondam, e cada vez mais eles fazem — em comentários em posts, fóruns e em seus próprios blogs. Muitos daqueles que respondem tem algo a discordar sobre o que leem. Isso já é esperado. Concordar com um texto motiva menos as pessoas do que discordar. Quando você concorda, há menos para se dizer. Você pode expandir o que o autor afirmou, mas talvez ele já explorou todas as implicações interessantes. Quando você entra em desacordo, você está entrando em um território que o autor ainda não explorou.

O resultado é que há muito mais divergências acontecendo, e você pode medir isso pelas palavras e respostas por aí. Isso não significa que as pessoas tem se tornado raivosas. A mudança estrutural na maneira de como nós nos comunicamos já é suficiente para explicar isso. Apesar de não ser a raiva que está causando um aumento nos número de desacordos, há o perigo de que o aumento no número de deles faça com que as pessoas se tornem mais raivosas e infelizes umas com as outras. Particularmente online, onde é fácil dizer coisas que você nunca diria cara a cara.

Se nós vamos entrar em desacordo mais vezes, então nós deveríamos tomar cuidado com isso. Muitos leitores conseguem saber a diferença entre xingamentos e uma refutação cuidadosamente construída, mas eu acho que ajudaria se colocassemos nomes para os estágios intermediários. Então tentaremos estabelecer uma hierarquia do desacordo.

0) Xingamento

Essa é a forma mais baixa de desacordo e provavelmente a mais comum. Todos nós já vimos comentários assim:

“vc é uma bicha!!!”

Mas é mais importante perceber que uma forma mais articulada de xingamento também tem o mesmo peso. Um comentário do tipo

“O autor é pedante e o artigo é horrívelmente construído.”

não é nada além de uma versão pretensiosa de “vc é uma bicha!!!”.

1) Ad Hominem

Um ataque ad hominem não é tão fraco quanto um simples xingamento. Ele pode conter algum peso. Por exemplo, se um senador escreve um artigo dizendo que os salários dos senadores deveriam ser aumentados, alguém poderia rebater:

“Claro que ele diz isso. Ele é um senador.”

Isso não refutaria o argumento do autor, mas pode pelo menos parecer relevante para este caso. No entanto, ainda é uma forma bem fraca de desacordo. Se há algo de errado com o argumento do senador em si, então você deveria dizer o que está errado; e se não há, então que diferença faz o fato de ele ser um senador?

Dizer que um autor não tem autoridade para escrever sobre um assunto é uma variante de ad hominem — e particularmente uma variante inútil, pois as boas idéias geralmente vêm dos outsiders (aqueles que ainda são desconhecidos no meio). A questão é sobre o autor estar correto ou não. Se a sua falta de autoridade causou e fez com que ele cometa erros, então aponte-os. E se falta de autoridade não está ligada aos supostos erros, então ela é realmente irrelevante.

2) Respondendo ao tom

Nesse nível superior começamos a ver respostas ligadas diretamente ao conteúdo do texto, ao invés de serem ligadas ao autor. A forma mais inferior desse tipo de argumento é discordar do tom utilizado pelo autor no texto. Por exemplo:

“Eu não posso acreditar que o autor rebate o Design Inteligente de maneira tão arrogante.”

Apesar de ser melhor do que atacar o autor, esse ainda é uma forma fraca de divergir. É muito mais importante saber se o autor está certo ou errado do que apontar os dedos para o tom utilizado em seu escrito. Especialmente porque é difícil julgar um tom de maneira isenta. Alguém que está emocionalmente envolvido com determinado tema pode sentir-se ofendido por um determinado tom, enquanto o mesmo pode ter sido percebido como neutro por outros leitores.

Então, se a pior coisa que você pode dizer a respeito de algo é criticar o seu suposto tom, então você não está dizendo muito. O autor é rude, porém correto em seus argumentos? Melhor isso do que ser grosseiro e estar errado. E se o autor está errado em alguma afirmação, aponte onde está o erro e refute.

3) Contradição

É nesse estágio que nós finalmente encontramos respostas minimamente substanciais para o que foi dito, ao invés de respostas para como tais coisas foram ditas ou por quem elas foram ditas. A forma mais baixa de se responder à um argumento é simplesmente afirmar o oposto, contradizendo o autor, com nenhuma ou pouca evidência, através de um argumento falacioso ou simplesmente frágil.

Esse tipo de argumento é muitas vezes combinado com argumentos do tipo (2), de resposta ao tom:

“Eu não posso acreditar que o autor rebate o Design Inteligente de maneira tão arrogante. O Design Inteligente é sim uma teoria científica.”

A contradição pode ter algum peso. Às vezes, apenas contradizer e afirmar o oposto explicitamente pode ser suficiente para verificar-se que está correto. Na maioria dos casos, evidências e uma argumentação mais rica são necessárias.

4) Contra-argumento

No nível (4) encontramos a primeira forma de desacordo convincente: o contra-argumento. Até esse ponto, todas as formas anteriores podem ser ignoradas como irrelevantes e muito inferiores. O contra-argumento pode provar ou refutar algo. O problema é que pode ser difícil verificar o que um contra-argumento realmente prova.

Um contra-argumento é uma contradição expressa em conjunto de evidências confiáveis e argumentação lógica sólida. Quando direcionado diretamente contra o argumento original do autor, ele pode ser convincente. Mas infelizmente é comum encontrar contra-argumentos que estão atacando posições diferentes daquelas alçadas originalmente pelo autor. Nesse sentido, podemos dizer que um bom contra-argumento pode estar tentando atacar um “espantalho” do argumento original do autor — criado conscientemente ou não — e que é uma versão distorcida do argumento, geralmente fácil de ser rebatida. Muitas vezes, duas pessoas estão discutindo passionalmente sobre duas coisas completamente diferentes. Os indivíduos até concordam um com o outro, mas estão tão profundamente envolvidos no embate que acabam cegando para esse fato.

É possível que exista uma razão legítima para argumentar contra alguma coisa ligeiramente diferente daquela que sustentada originalmente pelo autor: quando você percebe que ele deixou escapar o âmago ou ponto central da questão. Mas quando você fizer isso, deve dizer explicitamente, de maneira textual e direta, que você percebeu que o autor errou por pouco o alvo.

5) Refutação

A maneira mais convincente divergir de seu proponente é a refutação. É também a mais rara, já que é a mais difícil. De fato, a hierarquia do desacordo forma uma espécie de pirâmide, no sentido de que as formas que se encontram no topo são as mais raras de se encontrar.

Para refutar alguém, é preciso que provavelmente você faça uma citação do argumento do mesmo. Você precisa ser capaz de achar uma “fumaça” ou “ponto fraco” em uma passagem do texto do autor que você percebe que está errada, e então explicar por que ela está errada. Se você não consegue encontrar uma passagem textual, de preferência clara e objetiva, então é possível que você esteja correndo o risco de estar argumentando contra um “espantalho” criado pela sua própria sede de encontrar uma falha nos argumentos do autor.

Mesmo que a refutação geralmente venha forma de criação de citações de passagens do texto do autor, o fato de estar citando passagens diretas do texto do autor não implica que uma refutação está realmente acontecendo. Algumas pessoas citam partes do texto que elas discordam apenas para dar a aparência de que estão prestando atenção nos argumentos, e de que estão produzindo uma refutação legítima, quando na verdade estão construíndo uma resposta tão inferior quanto uma (3) contradição ou um (0) xingamento.

6) Refutando o ponto central.

A força de uma refutação depende daquilo que você refuta. A forma mais poderosa de desacordo é refutar o ponto central afirmado por alguém.

Muitas vezes, mesmo em níveis alto como (5), encontramos desonestidade intelectual deliberada, como por exemplo quando alguém refuta apenas os argumentos acessórios ou adjacentes ao argumento central proposto pelo autor — que ainda se mantém forte em seu ponto central. A refutação do ponto central é tão forte e avassaladora que, na maioria das vezes, é percebida pelo público como um grande ad hominem ou como arrogância e abuso de intelectualidade por parte do refutador, ao invés de um argumento legítimo.

Para verdadeiramente refutar algo, é necessária uma refutação do ponto central ou pelo menos de alguns deles. E isso significa se comprometer em expressar textualmente, da maneira mais objetiva possível, qual é o ponto central que está sendo refutado no momento. Então, uma refutação verdadeiramente efetiva se parece com isso:

“O ponto central do autor parece ser x. Como ele mesmo diz:

<citação>

Mas isso está errado por diversas razões, como por exemplo y e z…”

A citação apontada não precisa ser necessariamente uma afirmação textual exata àquela expressa originalmente pelo autor em seu ponto central. Algumas vezes, alguma citação que prove uma dependência essencial em relação ao ponto central ja é suficiente.

O que isso tudo significa

Agora nós temos uma maneira ligeiramente informal de classificar formas de desacordo. Qual o benefício disso? Uma coisa que a hierarquia do desacordo não nos dá é uma maneira de escolher um argumento vencendor. Os níveis apenas descrevem o formato dos argumentos e não se eles são corretos. Uma resposta (6) de refutação do ponto central, ainda que sólida, pode estar completamente errada.

Mesmo que os níveis de desacordo não estremem um limite inferior sobre o grau de convencimento de respostas e replicas em uma discussão, eles acabam sim delimitando um limite superior. Uma resposta (6) de refutação do ponto central pode não ser convincente, mas uma (2) de resposta ao tom do texto do autor é sempre fraca e inconvincente.

A vantagem mais óbvia de se classificar formas de entrar em divergência é que isso pode ajudar as pessoas a avaliar o que elas estão lendo. Em particular, vai ajudar elas a identificar argumentos intelectualmente desonestos. Um orador eloquente ou escritor pode causar a impressão de estar subjugando oponentes apenas por estar usando palavras de impacto. De fato, essa é a qualidade dos demagogos. Ao dar nomes para as diferentes formas de entrar em desacordo, damos aos leitores um alfinete para estourar tais balões argumentativos.

Tais rótulos podem ajudar os escritores também. A maioria das desonestidades intelectuais são não-intencionais, muitas vezes irracionais e inconscientes. Alguém que está argumentando contra o tom empregado pelo autor em um texto pode realmente acreditar que o texto está falando algo válido. Dar um passo para trás e ver a figura de longe pode inspirá-lo a tentar mover as suas respostas para o status de (4) contra-argumento ou (5) refutação.

Mas o grande benefício de entrar em desacordo de maneira racional e inteligente não é que isso pode fazer com que as nossas conversas fiquem melhores, mas fazer com que as pessoas envolvidas nelas tornem-se mais felizes. Se você estudar as conversas, perceberá que os argumento próximos de (1) contém muita mesquinhez e maldade. Para destruir um argumento você não precisa destruir o oponente. De fato, você não quer. Se você se concentrar em subir a hierarquia da pirâmide do desacordo, farás com que a maioria das pessoas tornem-se felizes. A maioria das pessoas não gosta de mesquinhez; elas só fazem isso porque se envolvem emocionalmente.

discordar

*Paul Graham, Ph.D. em Ciência da Computação pela Havard University e B.A. em Filosofia pela Cornell University, empreendedor do Vale do Silício e famoso pelo seu trabalho na linguagem de programação Lisp (autor de ‘On Lisp’ e ‘ANSI Common Lisp’).

(fonte)

rios da América do Sul

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rios

No dia 5 de novembro de 2015, a cidade histórica de Mariana, que fez parte da Estrada Real criada ainda no século XVII, foi o cenário principal do maior desastre ambiental da História do Brasil, de acordo com o Ibama. Por volta das 16h, a barragem de Fundão, da mineradora Samarco, se rompeu, provocando o vazamento de 62 milhões de metros cúbicos de lama de rejeitos de minério, matando 19 pessoas (entre moradores e funcionários da empresa), destruindo centenas de imóveis e deixando milhares de pessoas desabrigadas. O vazamento, considerado o maior de todos os tempos em volume de material despejado por barragens de rejeitos de mineração provocou também a poluição do Rio Doce e danos ambientais que se estenderam aos estados do Espírito Santo e da Bahia.

Um grupo de especialistas de diferentes estados do Brasil está se articulando para investigar a relação entre o surto de febre amarela e a degradação do meio ambiente ocorrida pelo desastre.

fonte de pesquisa e aqui.

Waking Life: anime existencialista

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A animação de 2001, dirigida por Richard Linklater, propõe diversos diálogos filosóficos não só de cunho existencialista. Platão, Nietzsche e Aristóteles também são abordados através de um roteiro bem dinâmico.

Após não conseguir acordar de um sonho, um jovem passa a encontrar pessoas da vida real em seu mundo imaginário, com quem têm longas conversas sobre os vários estados da consciência humana, filosofia, arte…

 

mudança

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Eu sei, mas não devia
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.

E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.

As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.

Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.

Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colasanti

Se os tubarões fossem homens

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por Bertolt Brecht

Se os tubarões fossem homens, perguntou a filha de sua senhoria ao senhor K., seriam eles mais amáveis para com os peixinhos?

Certamente, respondeu o Sr. K. Se os tubarões fossem homens, construiriam no mar grandes gaiolas para os peixes pequenos, com todo tipo de alimento, tanto animal quanto vegetal. Cuidariam para que as gaiolas tivessem sempre água fresca e adoptariam todas as medidas sanitárias adequadas. Se, por exemplo, um peixinho ferisse a barbatana, ser-lhe-ia imediatamente aplicado um curativo para que não morresse antes do tempo.

Para que os peixinhos não ficassem melancólicos haveria grandes festas aquáticas de vez em quando, pois os peixinhos alegres têm melhor sabor do que os tristes. Naturalmente haveria também escolas nas gaiolas. Nessas escolas os peixinhos aprenderiam como nadar alegremente em direção à goela dos tubarões. Precisariam saber geografia, por exemplo, para localizar os grandes tubarões que vagueiam descansadamente pelo mar.

O mais importante seria, naturalmente, a formação moral dos peixinhos. Eles seriam informados de que nada existe de mais belo e mais sublime do que um peixinho que se sacrifica contente, e que todos deveriam crer nos tubarões, sobretudo quando dissessem que cuidam de sua felicidade futura. Os peixinhos saberiam que este futuro só estaria assegurado se estudassem docilmente. Acima de tudo, os peixinhos deveriam rejeitar toda tendência baixa, materialista, egoísta e marxista, e denunciar imediatamente aos tubarões aqueles que apresentassem tais tendências.

Se os tubarões fossem homens, naturalmente fariam guerras entre si, para conquistar gaiolas e peixinhos estrangeiros. Nessas guerras eles fariam lutar os seus peixinhos, e lhes ensinariam que há uma enorme diferença entre eles e os peixinhos dos outros tubarões. Os peixinhos, proclamariam, são notoriamente mudos, mas silenciam em línguas diferentes, e por isso não se podem entender entre si. Cada peixinho que matasse alguns outros na guerra, os inimigos que silenciam em outra língua, seria condecorado com uma pequena medalha de sargaço e receberia uma comenda de herói.

Se os tubarões fossem homens também haveria arte entre eles, naturalmente. Haveria belos quadros, representando os dentes dos tubarões em cores magníficas, e as suas goelas como jardins onde se brinca deliciosamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam valorosos peixinhos a nadarem com entusiasmo rumo às gargantas dos tubarões. E a música seria tão bela que, sob os seus acordes, todos os peixinhos, como orquestra afinada, a sonhar, embalados nos pensamentos mais sublimes, precipitar-se-iam nas goelas dos tubarões.

Também não faltaria uma religião, se os tubarões fossem homens. Ela ensinaria que a verdadeira vida dos peixinhos começa no paraíso, ou seja, na barriga dos tubarões.

Se os tubarões fossem homens também acabaria a ideia de que todos os peixinhos são iguais entre si. Alguns deles se tornariam funcionários e seriam colocados acima dos outros. Aqueles ligeiramente maiores até poderiam comer os menores. Isso seria agradável para os tubarões, pois eles, mais frequentemente, teriam bocados maiores para comer. E os peixinhos maiores detentores de cargos, cuidariam da ordem interna entre os peixinhos, tornando-se professores, oficiais, polícias, construtores de gaiolas, etc.

Em suma, se os tubarões fossem homens haveria uma civilização no mar.
Este conto encontra-se aqui

O QUE HÁ DE MAIS ASSUSTADOR NO FOLCLORE BRASILEIRO

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Por Andriolli Costa

Escondidos num banheiro abandonado da escola, os garotos aceitam o desafio: apertar as descargas, ligar as torneiras e chamar pelo nome proibido – tudo ritualmente repetido por três vezes. No espelho, um vulto se anuncia. É o fim.

Longe dali, uma adolescente que ficou na rua até tarde sente uma presença a acompanhando. Nas sombras, um velho maltrapilho se insinua, carregando nas mãos um grande saco de estopa. Ele ri.

O final de cada uma dessas histórias não está na tela, mas em seu íntimo você bem sabe o que aconteceu. Assim é Imaginário, uma web-série carioca que estreou no dia 31 de outubro deste ano no Youtube. Desde então, um novo episódio é lançado toda quinta-feira, até que os 10 desta primeira temporada tenham sido publicados. O mais recente, O Garoto de uma perna, é o sexto.

O projeto foi criada pelo diretor Bruno Esposti, de 24 anos. A idade é um componente importante neste contexto: toda a equipe é bastante jovem, alguns assumindo cargos de direção pela primeira vez. O resultado, no entanto, denota um apuro estético muitas vezes inalcançado por produções do gênero que investem nas narrativas folclóricas.

A diferença, no caso de Imaginário, é que os filmes em sua maioria fogem do gore ou do trash para investir num terror psicológico que captura pela tensão. Entre ataques de chupa-cabra, perseguições do saci e ovos fecundados pelo diabo em plena quaresma, cada um dos curtas possui em média apenas 3 minutos de duração. Nenhum dos curtas tem exatamente um final, uma escolha proposital do diretor: “metade da história eu te mostro, a outra metade cabe a você e ao seu imaginário”, esclarece em um dos vídeos de produção.

Imaginário contou até mesmo com uma psicóloga para desenvolver as narrativas. Mariana Castro se envolveu com o projeto principalmente pela perspectiva do espelho. Os mitos como reflexo de Eu. De nossos medos , nossas ansiedades e nossa relação com o inteiramente outro.

Confira abaixo cada um dos episódios, acompanhado de uma breve resenha feita por nós.

Episódio 1 – Diabinho na Garrafa

Um episódio que estreou em 31 de outubro não poderia tratar de uma temática melhor: bruxaria. A lenda conta que o dono de um diabinho na garrafa receberá dele todos os seus desejos. Vera tenta controlar a criatura, fecundada pelo próprio diabo. A maldade, no entanto, é incontrolável e vai cobrar seu preço. Gosto especialmente deste episódio pela relação com a quaresma, o período mais sombrio do folclore brasileiro. Denota pesquisa e atenção com o texto fonte.

Episódio 2 – A Mulher do Espelho

O grande problema deste episódio para mim foi a escolha do monstro. Loira do banheiro, Mulher do algodão, Mulher de branco… todas estas são variantes existentes no folclore brasileiro, mas “Maria Sangrenta” para mim faz referência direta à Bloody Mary americana. De qualquer forma, o ritual das descargas é um clássico. A cenografia do banheiro da escola é extremamente impressionante.

Episódio 3 – Cabrita

Cabrita é a caminhonete de Matheus. Um detalhe simples, um trocadilho evidente com a besta da semana – o terrível chupa-cabras. Ainda assim trouxe um colorido muito especial ao personagem: dizendo em poucos segundos sobre sua cultura agroboy, sua juventude e espirituosidade. Um desafio em filmes com pouco mais de 3 minutos. Este é também o episódio mais gore da série, onde a equipe de maquiagem mais investiu em sangue falso.

Episódio 4 – O Sopro

Este não é meu curta preferido da série, mas seu argumento certamente é o mais inovador. Nunca antes eu havia visto esta relação entre Folia de Reis e o horror infantil. Só quem já viu um reizado sabe o quanto a figura dos palhaços (ou bastiões) – com suas máscaras de couro – pode ser impactante. No folguedo, a tarefa deles é proteger o menino Jesus dos soldados de Herodes, distraindo a todos com suas danças e cantorias. Para Sophia, no entanto, eles eram monstros. Terríveis monstros que tentavam entrar em sua casa. Só não entendi por que “O Sopro”.

(Nota: O diretor me explicou depois que o título se deve a uma cena que foi cortada, quando o palhaço assopraria um instrumento no rosto da menina)

Episódio 5 – O Velho do Saco

O interessante deste episódio é que normalmente vemos a história do velho do saco sempre relacionada a crianças. Alice, protagonista do curta, já é adolescente mas ainda assim é perseguida por ele o que faz este pavor do outro ganhar tons ainda mais sexualizados. Um episódio bastante concreto que lida com medos cada vez mais presentes no ambiente urbano. Um detalhe observado pelo amigo Romeu Martins é que os meninos que conversam com Alice são Caio e Mateus, do curta da Loira do Banheiro. Sophia, mencionada pela mãe, pode ser a protagonista de O Sopro.

Episódio 6 – Garoto de uma perna

Um casal de nômades tenta escapar de algo que os persegue pela mata. É o saci, que neste versão era filho de escrava feiticeira, carregando magia no sangue. Após ser preso e mutilado pelo seu “senhor”, foge para mata onde até hoje persegue quem cruza seu caminho.

Demorei a entender um pouco a escolha dos nômades como protagonistas – achei, de início, que era algum tipo de branqueamento de etnias indígenas. Fiquei feliz em descobrir que não. Ainda assim, me parece uma escolha muito distante dos demais curtas, tão calcados nas imagens de Brasil. No geral, o filme me deu a impressão de ser uma dark fantasy  universal – algo diferente ao abordar um mito tão nacional quanto o saci.

Episódio 7 – Curupira

Uma história simples. Caçadores na mata são perseguidos pelo terrível Curupira. É o episódio mais fraco para mim até agora. Os pés invertidos do Curupira convencem no plano aberto, mas no detalhe parece apenas uma pessoa andando para trás. Valia investir mais nisso. E um detalhe bobo, mas que vale pontuar: “malditos espinhos” como linha de roteiro, parece homenagem à dublagem dos anos oitenta. Em diálogos tão breves, faltou algo mais marcante.

Episódio 8 – Boto

Se o Boto cor-de-rosa normalmente é retratado como um caboclo sedutor ainda preso as anos 60, com sua roupa de malandro e inseparável chapéu coco, a versão de Imaginário não podia ser mais diferente. O Boto aqui é grave, silencioso, sua presença impõe força e respeito. Quando aparece, não precisa de muito para arrastar a cunhã para a lagoa. O resultado deste encontro será muito mais trágico do que a gravidez indesejada registrada nas lendas. Ótimo episódio.

Episódio 9 – Equino

Esperei ansioso por este episódio. A Mula Sem Cabeça, para mim, é o mito mais difícil de ser retrabalhado nos dias de hoje. A carga misógina dele, como forma de controle do feminino, é tão forte que o seu simples relato pode produzir uma narrativa leviana e anacrônica. Queria muito saber qual a escolha de abordagem Imaginário seguiria.

Fiquei triste ao ver que a série escapou desses dilemas. A incerteza sobre a mula é apenas se ela é ou não fruto dos delírios de uma mulher supostamente esquizofrênica. É o conflito entre real e fantasioso que permeia todos os mitos. Para mim faltou ousadia neste roteiro.

Episódio 10 – Sereia

O episódio que veio para encerrar a temporada, e a fecha muito bem! Repleto de referências aos demais episódios, o curta começa com os cartazes de procurados de cada um dos mitos retratados na série. O caçador aceita a missão, mas será que ele é capaz de resistir aos encantos da Iara e cumprir sua tarefa?

Detalhe para a beleza da caracterização da criatura. A iara, negra, tem pintada no torso a árvore do Imaginário. A maquiagem de escamas no braço, as unhas compridas e o azul da fotografia constroem esse belo design de monstro que é coroado com a transformação final. Parabéns a toda a equipe!

Fonte 🙂