Judaísmo

Deus, de acordo com os escritos sagrados dos judeus, por volta do ano 2.000 a. C., prometeu a Abraão, morador de Ur, na Caldeia (Mesopotâmia), uma terra em Canãa, na atual Palestina. Abraão partiu então em direcão à “terra prometida” por Deus, mas os seus descendentes foram parar ao Egito, onde acabaram maltratados e escravizados (c.1580 a.C.).

O neto de Abraão, Jacob ou Israel, teve 12 filhos, e cada um veio a dar origem uma das 12 tribos que, durante certo tempo, constituíram o povo de Israel.

Do Egito, Moisés, no séc. XIII a.C., aproveitando uma conjuntura política favorável, chefiou a saída das 12 tribos de israelitas para tentarem atingir a Terra Prometida. Ao passar junto ao Monte do Sinai, Deus voltou a falar-lhe, dando-lhe um conjunto de leis morais (Tábuas da Lei), que se tornaram na base do judaísmo.

Moisés nunca atingiu a Palestina, foi Josué que a conquistou. As 12 tribos de israelitas após um longo período de divisões internas, por volta do ano 1.000 a.C., reuniram-se e fundaram um reino independente. Saul (c.1025 a.C.) foi o primeiro rei. Seguiu-se David (c. 1012-972 a. C.), conquista Jerusalém e opera uma centralização política e religiosa. Salomão (c.971-931 a. C), construiu em Jerusalém o célebre Templo, onde ficou guardada a Arca da Aliança com as Tábuas da Lei, dadas por Deus a Moisés.

Por volta de 931 a.C. este reino dividiu-se, dando origem ao reino de Israel (10 tribos) e ao Reino da Judeia (2 tribos). O reino de Israel acabou por ser conquistado pelos assírios, em 722 a.C., desaparecendo da história as 10 tribos. O Reino da Judeia, no ano 586 a. C. foi conquistado por Nabucodonosor, sendo os seus habitantes desterrados para a Babilónia.

Os babilónios acabaram por ser conquistados, em 538 a.C, pelos Persas. Foram estes que deixaram os antigos habitantes do Reino da Judeia voltaram à Palestina (c.538 a.C.). Fruto desta permanência na Babilónia e do contacto com o Zaratustrismo, incorporaram no judaísmo novos elementos religiosos. Formaram também a crença da vinda de um Messias (chefe militar), enviado por Deus, que os havia de libertar do julgo de outros povos e reconstituir o antigo reino.

Apesar de todas as revoltas nunca conseguiram recuperar a independência. Tito, imperador romano, no ano 70 d.C., após ter  conquistado Jerusalém e arrasado o célebre tempo de Salomão, dispersou os judeus por todo o império.

1. Monoteísmo

O judaísmo não foi a primeira religião monoteísta, mas é seguramente a mais longa da história da humanidade. Esteve na origem de duas outras religiões monoteístas: o cristianismo e o islamismo.

2. Deus Tribal

“Disse o Senhor a Abraão: “Deixa a tua terra, os teus parentes, a casa do teu pai e parte para a terra que te vou mostrar. E eu farei de ti uma grande nação, abençoar-te-ei e tornarei glorioso o teu nome. Vai com a minha benção”. Gn, 12,1-2.

O Deus judaico, assumiu desde o início as características de um Deus tribal, que em troca de uma obediência total lhes promete um futuro glorioso, mas um presente incerto. Foi Deus que escolheu os judeus, e não o seu contrário. Estabeleceu com eles uma relação única, exclusiva da qual todos os outros povos estão afastados.

A Lei, a moral e os castigos são coletivos. Se um pecar, o castigo divino acabará por cair sobre todos.

No principio era apenas o mais importante dos deuses existentes, mas depois, ao longo de um processo histórico conturbado acabou por ser reconhecido como o único Deus existente.

2.1. Sacerdotes da Humanidade

“E vós sereis para mim um reino sacerdotal e um povo santo”, Ex.,19-,6

Deus escolheu os judeus para sacerdotes da Humanidade, e como tal exige entrega total a esta missão divina.  Sempre que os judeus se afastam do seu Deus, e do caminho de santidade que Ele lhes traçou, castiga-os de forma brutal.

A Abraão exige que se separe da sua terra e dos seus parentes, lançando-o no deserto. Os seus descendentes terminam escravizados no Egito.

A Moisés dá-lhe um Lei moral exigente, e não lhe permite que chegue à terra prometida, condenando-o a morrer no deserto.

No século XX, submete-os os judeus a um prova extrema: abandona o seu povo eleito condenando-o ao extermínio em massa (Holocausto).

O presente para o crente no judaísmo não existe, apenas podem alimentar a esperança que num futuro longínquo, se Deus se lembrar deles.

Estamos perante uma religião centrada em torno da uma Lei divina, que disciplina a acção dos seus membros de modo a reconciliá-los com uma divindade justiceira e omnipotente.

Deus ao longo da História vai educando os judeus para serem os lideres espirituais do mundo, submetendo-os às mais cruéis provações para testar a sua Fé n`Ele. As matanças e perseguições que têm sido vítimas são encaradas como fazendo parte deste plano educativo divino.

Jerusalém será no fim dos tempos, a capital da Humanidade.

2.2. Raça Santificada

No século XIX criaram também o mito que os judeus constituíam uma etnia ou “raça” à parte, que ao longo dos séculos tinha conseguido manter a sua “pureza” inicial. Trata-se de um ideia tipicamente racista, comum a tantas outras que surgiram no século XX e princípios do XX.  Esta é a razão porque, para a comunidade judia, um judeu é sempre considerado um judeu, mesmo que não acredite em Deus ou se tenha convertido a outra religião.

2.3. Anjos e Demónios

Embora acreditem num só Deus, os judeus criaram um verdadeiro exercito de Anjos (mensageiros). No topo estão os arcanjos – Miguel, Gabriel e Rafael -, seguindo-se os querubins e os serafins. O seu poder é enorme: Ás ordens de Deus, um só anjo aniquilou 70.000 homens com a peste (II Samuel 24,15). Numa só noite, um anjo matou 185.000 homens no campo dos Assírios (II Reis, 19,35).

Os anjos que se afastaram de Deus são os demónios, que possuem inúmeros poderes maléficos.

3. Teocracia

“Escuta, oh Israel: O Eterno é nosso Deus, o Eterno é único. Amarás O Eterno, teu Deus com o teu coração, com toda a tua alma e com todos o teus recursos”. Devarim, Deuteronómio, 6,4.

A continuidade histórica do judaísmo assentou deste 586 a. C., numa poderosa organização religiosa controlada pelos rabis (chefes religiosos), que procuraram controlar todos os aspectos da vida das diferentes comunidades de crentes.

A Tora tornou-se a lei religiosa e civil do povo judeu.

A sinagoga era não apenas um local de culto, mas funcionava como escola, tribunal, casa de convívio e informação, estalagem de viajantes, etc.

Devido à dispersão das comunidades, esta organização cedo criou redes internacionais, nomeadamente para a cobrança de impostos.

4. Separação

Os judeus, devido à aliança especial que possuem com o seu Deus, foram por Ele obrigados a viverem à parte das comunidades de “impuros” ou “idolatras” em que estavam inseridos. Os rabis mostraram-se sempre muito zelosos nesta separação, de modo a evitarem a dispersão e o contágio de outras religiões.

As comunidades judaicas ainda durante o Império Romano começaram a isolar-se, no desejo de salvaguardarem  a pureza das suas crenças e da sua raça, dando origem às primeiras judiarias (a)

Quando o cristianismo se tornou na religião oficial do Império Romano, as judiarias passaram a ser os bairros onde os judeus eram obrigados a viverem.

Em Portugal até 1497 as judiarias eram dirigidas por um arrabil-mor, que superintendia no culto, justiça, finanças, administração. Cada Judiaria dispunha do seu cemitério privativo, sinagoga, açougue, etc.

Esta separação se manteve a unidade da comunidade  judaica, e permitiu a longa persistência da religião, acabou por gerar enormes conflitos racistas. Os judeus eram frequentemente encarados como “corpos estranhos” na sociedade.

5. Da Terra Prometida ao Sionismo

Durante cativeiro do judeus na Babilónia ( 586 -515 a.C) gerou-se a ideia que um dia viria um Messias (chefe político e religioso), que não só os faria regressar à terra prometida por Deus a Abraão e Moisés, mas reconstituiria o antigo reino do rei David. Depois do regresso dos judeus à Palestina, a ideia persistiu, alimentando inúmeras revoltas contra os invasores. Os judeus continuaram a ser subjugados agora na sua aterra. O Messias nunca chegou, apesar dos muitos candidatos.

Depois da expulsão do judeus da Palestina, por Tito, no ano, 70, a ideia de um futuro regresso à Palestina, a terra prometida, tornou-se numa mais fortes crenças judaicas.

No século XVI emerge um movimento de retorno, conduzido por uma portuguesa. O movimento ressurge no século XIX. Em 1897 realiza-se o primeiro congresso sionista em Basileia. Em 1917 a Declaração de Balfour, reconhece aos judeus o direito a um Estado e uma pátria na Palestina, o que virá a ser conseguido, em 1948, na sequência da 2ª. Guerra Mundial.

Muitos judeus ortodoxos não concordam com o Estado Israelita, não apenas porque o mesmo não é teocrático, mas sobretudo porque ainda não chegou o Messias que o criará.

6. Livros

Os livros sagrados são essencialmente dois – Tora e o Talmude.

A Tora é constituída por cinco livros – Génese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio.

O Talmude, reúne a tradição oral. É composto pelo Mishina e Gemara, reunindo estudos sobre a Tora, leis, regras de aplicação dos seus princípios bíblicos, parábolas e narrações rabínicas e outros muitos ensinamentos. O Talmude Babilónico foi concluído em 500 a.C e o Talmude de Jerusalém em 500 d.C.

A Cabala judaica forma-se a partir do século XII, com base em dois livros: Sefer ha-bahir (Livro da Luz Resplandecente (c. 1170) e Sefer ha-Zohar (Livro do Esplendor) (c. 1270).

Atualmente a maioria dos judeus concentra-se em Israel e nos EUA, embora existam comunidades espalhadas por todo o mundo.

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