A Mulher-Esqueleto

0

A Mulher-Esqueleto

Animação do conto presente no livro MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS,
de Clarissa P. Estés.

Animação: Edith Pieperhoff – Narração: Juliana Bazanelli

 

A Mulher-Esqueleto

Ela havia feito alguma coisa que seu pai não aprovava, embora ninguém mais se lembrasse do que havia sido. Seu pai, no entanto, a havia arrastado até os penhascos, atirando-a ao mar. Lá, os peixes devoraram sua carne e arrancaram seus olhos. Enquanto jazia no fundo do mar, seu esqueleto rolou muitas vezes com as correntes.

Um dia um pescador veio pescar. Bem, na verdade, em outros tempos muitos costumavam vir a essa baía pescar. Esse pescador, porém, estava afastado da sua colônia e não sabia que os pescadores da região não trabalhavam ali sob a alegação de que a enseada era mal-assombrada.

O anzol do pescador foi descendo pela água abaixo e se prendeu — logo em quê! — nos ossos das costelas da Mulher-esqueleto. O pescador pensou: “Oba, agora peguei um grande de verdade! Agora peguei um mesmo!” Na sua imaginação, elejá via quantas pessoas esse peixe enorme iria alimentar, quanto tempo sua carne duraria, quanto tempo ele se veria livre da obrigação de pescar. E enquanto ele lutava com esse enorme peso na ponta do anzol, o mar se encapelou com uma espuma agitada, e o caiaque empinava e sacudia porque aquela que estava lá embaixo lutava para se soltar. E quanto mais ela lutava, tanto mais ela se enredava na linha. Não importa o que fizesse, ela estava sendo inexoravelmente arrastada para a superfície, puxada pelos ossos das próprias costelas.

O pescador havia se voltado para recolher a rede e, por isso, não viu a cabeça calva surgir acima das ondas; não viu os pequenos corais que brilhavam nas órbitas do crânio; não viu os crustáceos nos velhos dentes de marfim. Quando ele se voltou com a rede nas mãos, o esqueleto inteiro, no estado em que estava, já havia chegado à superfície e caía suspenso da extremidade do caiaque pelos dentes incisivos.

— Agh! — gritou o homem, e seu coração afundou até os joelhos, seus olhos se esconderam apavorados no fundo da cabeça e suas orelhas arderam num vermelho forte. — Agh! — berrou ele, soltando-a da proa com o remo e começando a remar loucamente na direção da terra. Sem perceber que ela estava emaranhada na sua linha, ele ficou inda mais assustado pois ela parecia estar em pé, a persegui-lo o tempo todo até a praia. Não importava de que jeito ele desviasse o caiaque, ela continuava ali atrás. Sua respiração formava nuvens de vapor sobre a água, e seus braços se agitavam como se quisessem agarrá-lo para levá-lo para as profundezas.

— Aaagggggghhhh! — uivava ele, quando o caiaque encalhou na praia. De um salto ele estava fora da embarcação e saía correndo agarrado à vara de pescar. E o cadáver branco da Mulher-esqueleto,  ainda preso à linha de pescar, vinha aos solavancos bem atrás dele.  Ele  correu  pelas pedras,  e  ela o acompanhou.  Ele atravessou a tundra gelada, e ela não se distanciou. Ele passou por cima da carne que havia deixado a secar, rachando-a em pedaços com as passadas dos seus mukluks. O tempo todo ela continuou atrás dele, na verdade até pegou um pedaço do peixe congelado enquanto era arrastada. E logo começou a comer, porque há muito, muito tempo não se saciava. Finalmente, o homem chegou ao seu iglu, enfiou-se direto no túnel e, de quatro, engatinhou de qualquer jeito para dentro. Ofegante e soluçante, ele ficou ali deitado no escuro, com o coração parecendo um tambor, um tambor enorme. Afinal, estava seguro, ah, tão seguro, é, seguro, graças aos deuses, Raven, é, graças a Raven, é, e também à todo-generosa Sedna, em segurança, afinal.

Imaginem quando ele acendeu sua lamparina de óleo de baleia, ali estava ela — aquilo — jogada num monte no chão de neve, com um calcanhar sobre um ombro, um joelho preso nas costelas, um pé por cima do cotovelo. Mais tarde ele não saberia dizer o que realmente aconteceu. Talvez a luz tivesse suavizado suas feições; talvez fosse o fato de ele ser um homem solitário. Mas sua respiração ganhou um quê de delicadeza, bem devagar ele estendeu as mãos encardidas e, falando baixinho como a mãe fala com o filho, começou a soltá-la da linha de pescar.

— Oh, na, na, na. — Ele primeiro soltou os dedos dos pés, depois os tornozelos. — Oh, na, na, na. — Trabalhou sem parar noite adentro, até cobri-la de peles para aquecê-la, já que os ossos da Mulher-esqueleto eram iguaizinhos aos de um ser humano.

Ele procurou sua pederneira na bainha de couro e usou um pouco do próprio cabelo para acender mais um foguinho. Ficou olhando para ela de vez em quando enquanto passava óleo na preciosa madeira da sua vara de pescar e enrolava novamente sua linha de seda. E ela, no meio das peles, não pronunciava palavra — não tinha coragem — para que o caçador não a levasse lá para fora e a jogasse lá embaixo nas pedras, quebrando totalmente seus ossos.

O homem começou a sentir sono, enfiou-se nas peles de dormir e logo estava  sonhando. Às vezes, quando os seres humanos dormem, acontece de uma lágrima escapar do olho de quem sonha. Nunca sabemos que tipo de sonho provoca isso, mas sabemos que ou é um sonho de tristeza ou de anseio. E foi isso o que aconteceu com o homem.

A Mulher-esqueleto viu o brilho da lágrima à luz do fogo, e de repente ela sentiu uma sede daquelas. Ela se aproximou do homem que dormia, rangendo e retinindo, e pôs a boca junto à lágrima. Aquela única lágrima foi como um rio, que ela bebeu, bebeu e bebeu até saciar sua sede de tantos anos.

Enquanto estava deitada ao seu lado, ela estendeu a mão para dentro do homem que dormia e retirou seu coração, aquele tambor forte. Sentou-se e começou a batucar dos dois lados do coração: Bom, Bomm!… Bom, Bomm!

Enquanto marcava o ritmo, ela começou a cantar em voz alta.

— Carne, carne, carne! Carne, carne, carne! — E quanto mais cantava, mais seu corpo se revestia de carne. Ela cantou para ter cabelo, olhos saudáveis e mãos boas e gordas. Ela cantou para ter a divisão entre as pernas e seios compridos o suficiente para se enrolarem e dar calor, e todas as coisas de que as mulheres precisam.

Quando estava pronta, ela também cantou para despir o homem que dormia e se enfiou na cama com ele, a pele de um tocando a do outro. Ela devolveu o grande tambor, o coração, ao corpo dele, e foi assim que acordaram, abraçados um ao outro, enredados da noite juntos, agora de outro jeito, de um jeito bom e duradouro.

As pessoas que não conseguem se lembrar de como aconteceu sua primeira desgraça dizem que ela e o pescador foram embora e sempre foram bem alimentados pelas criaturas que ela conheceu na sua vida debaixo d’água. As pessoas garantem que é verdade e que é só isso o que sabem.

 

 

O analfabeto político

0

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

vício

0

Os vícios estão em todos os lugares, e não se trata só de drogas, mas também da influencia direta do mercado em nossas vidas.

Somos estimulados aos prazeres fortuitos, e nos viciamos porque somos infelizes. O Mercado vende prazeres, satisfações, fés, ele nos estimula a compulsão porque é economicamente mais rentável ter uma massa de pessoas viciadas-consumidoras. Comemos desregradamente, sexualiza-se qualquer coisa, competimos por status, poder, dinheiro. Inflamamos nossa raiva e cedemos as ideologias de ódio, trabalhamos cada vez mais para comprar nosso conforto, acumulamos a matéria para um futuro utópico e no fim, alimentamos ainda mais nossas fraquezas e o Mercado que não está interessado em nosso bem estar e saúde, mas sim em vender.

Vícios discretos que nos correm cotidianamente.

(Vídeo: Canal “Kurzgesagt – In a Nutshell”)

Nota da Reitoria da UFPR pela democracia e pela República

0

A Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a mais antiga do país, atenta ao seu papel de produzir saberes, formar gerações e intervir criticamente na sociedade que a mantém, vem publicamente, em vista dos eventos políticos e institucionais que acometem o Brasil, conclamar para a defesa de valores verdadeiramente republicanos e democráticos que devem orientar a condução de nosso país.

1) Num regime democrático e republicano, qualquer cidadão ou cidadã deve se submeter e usufruir dos mesmos direitos e garantias que qualquer outro(a), inclusive o direito à presunção de inocência e ao devido processo legal, sendo inadmissível que alguém, independentemente de sua posição econômica ou de poder, tenha tratamento privilegiado;

2) Num regime democrático e republicano, os agentes públicos – com mandato, no exercício da jurisdição ou no funcionalismo em geral – têm o dever de zelar pelas instituições e pelas regras que as presidem, sob pena de terem esgarçada sua legitimidade, com efeitos institucionais deletérios para o país;

3) Num regime democrático e republicano, os nossos dirigentes devem agir com ética cidadã, moralidade e com respeito às regras jurídicas de modo exemplar, ao mesmo tempo em que, quando violarem o Direito, devem ser investigados, processados e, sendo o caso, punidos como qualquer cidadão comum, sem quaisquer benefícios e privilégios.

4) Num regime democrático e republicano, devem ser ativas e efetivas as condições para que sejam afastados do poder os agentes políticos que violarem o Direito ou perderem as condições morais de conduzir o governo;

5) Num regime democrático e republicano, o maior valor político (inclusive previsto na Constituição Brasileira) é o de que o poder emana do povo e deve ser exercido em seu nome, sendo certo que se afastar dessa premissa torna o país menos democrático;

6) Num regime democrático e republicano, corruptores e corruptos, sejam agentes públicos ou empresários, grandes ou pequenos, situacionistas ou oposicionistas, devem ser submetidos aos mesmos rigores da lei, sem diferenciações casuístas;

7) Num regime democrático e republicano deve existir imprensa igualmente democrática e republicana, que aja com lisura e ciosa de sua função pública, sendo condenável o seu comprometimento com interesses estritamente econômicos ou de poder;

8) Num regime democrático e republicano, é fundamental ser zeloso com o patrimônio dos direitos historicamente conquistados e acumulados, sendo por isso recomendável, da parte de qualquer agente político, não pautar sua redução ou revogação, ou qualquer outra reforma institucional estruturante, em momentos de grave crise de credibilidade daqueles que seriam justamente os encarregados de votar ou sancionar a alteração desses direitos ou instituições;

9) Num regime democrático e republicano, a educação pública superior deve ser considerada prioridade absoluta da nação, parte de seu projeto fundamental, meio privilegiado do desenvolvimento e do crescimento civilizacional e jamais ser rebaixada a mera “despesa”, cortando-se o seu financiamento ao ponto dramático de ameaçar de paralisação do funcionamento de atividades universitárias, comprometendo com isso as condições de produção da ciência e da tecnologia nacional e a formação das gerações futuras.

oi?

0

surdo

Você não precisa ser um grande conhecedor de música para já ter ouvido falar de Ludwig van Beethoven. Uma das curiosidades mais populares a sobre a vida e a carreira desse gênio é a respeito da suposta surdez do compositor, mas será que Beethoven já era surdo quando compôs suas grandes obras? Quão surdo ele era? Você sabe?

Nascido em 1770, Beethoven se apaixonou por música quando ainda era criança e teve influências de seu pai, um tenor que também dava aulas de piano e violino. Não é à toa que Beethoven era considerado um prodígio no quesito musical – a primeira vez que ele se apresentou em um concerto foi quando tinha apenas sete anos!

Ao longo de sua vida, esse gênio da música acabou sendo influenciado por outros grandes compositores, como Christian Gottlob Neefe, que o ensinou como compor. Foi desde pequeno que Beethoven aprendeu a gostar de orquestras – muitas de suas composições favoritas eram de Mozart, que foi objeto de seus estudos, assim como Bach. Em 1791 Beethoven já havia composto muitos de seus trabalhos mais famosos.

Início

Sua primeira apresentação pública em Viena foi em 1795, quando já era famoso por ser um ótimo pianista. Até aí, ao que tudo indica, Beethoven tinha uma audição perfeitamente normal. O problema parece ter começado mesmo em 1796, quando as primeiras referências sobre zumbidos foram encontradas em cartas escritas pelo compositor.

Foi somente em 1801,no entanto, que Beethoven documentou evidências de que estaria ficando surdo, ao escrever para seu médico. Na carta, ele diz que sua audição estava ficando cada vez pior, fato que Beethoven havia reparado nos últimos três anos. O compositor falou que já estava em um nível em que precisava ficar muito próximo a uma orquestra para entender as composições. Beethoven disse também que já estava muito difícil ouvir pessoas falando normalmente – ele dizia que ouvia um som, mas não as palavras claramente.

A causa da surdez do gênio da música ainda é desconhecida, ainda que existam diversas teorias a respeito. Entre as hipóteses estão sífilis e o costume que o compositor tinha de mergulhar sua cabeça em um balde de água fria sempre que se sentia cansado.

Períodos

Também não se sabe quando é que Beethoven ficou completamente surdo, mas há evidências de que a situação era tão grave que as pessoas tinham que gritar ao ouvido dele – isso já em 1810. A partir daí, a situação só teria piorado. Sabe-se que o compositor continuou procurando ajuda médica até 1822, quando finalmente aceitou que nunca mais teria uma audição perfeita.

O trabalho de Beethoven e geralmente dividido em três períodos que refletem a gradual piora de seu quadro auditivo. O primeiro corresponde às suas composições primárias, de quando ela ainda era criança. Nessa fase, as notas usadas por ele eram as mais altas. Dessa época, seus trabalhos mais conhecidos são a Primeira Sinfonia e a Segunda Sinfonia.

O período do meio teve início nos anos de 1820, quando o compositor já tinha problemas sérios de audição. Suas composições dessa fase são caracterizadas pelas notas mais baixas, assim ele ainda conseguia ouvir o que estava criando. Entre as composições desse período estão Moonlight Sonata, Fidelio e a Sexta Sinfonia.

Fim.

(Fonte)

O Primeiro Abraço

2

Todos os seres vivos precisam de carinho e amor para viverem felizes. Mas como será que se sentem os animais que vivem na rua? Privados das coisas mais básicas à existência de vida, como a água e a comida, esses animais muitas vezes nem sequer chegam a experienciar momentos de carinho em suas vidas.

É verdade que eles são livres e sua casa é o mundo inteiro mas eles também estão expostos a todos os perigos, já para não falar que muitos deles nascem e morrem na rua, sem nunca sentirem o amor de um humano.

É muito simples abraçar um animal. Foi com base nessa frase que surgiu a ideia de “The First Hug” (O Primeiro Abraço), onde um jovem passa o dia abraçando e dando carinho a animais de rua carentes. Pacientemente ele chama os caninos e aos poucos vai ganhando sua confiança. 

 

Como Sentir Empatia

0

A empatia é a habilidade de sentir o que os outros sentem e é o segredo para construir relacionamentos significativos e conviver em paz com outras pessoas. Alguns nascem com uma habilidade natural de sentir empatia e outros têm mais dificuldade de se relacionar. Se você acha que precisa desenvolver sua empatia, há muitas coisas que pode fazer para melhorar nesse aspecto. Esse artigo discute o que é a empatia e passos para tomar imediatamente para se tornar mais empático.

 

Parte 1

Entrando em contato com sua empatia

  1. Entre em contato com suas próprias emoções. Para sentir emoções junto com outras pessoas, é preciso conseguir senti-las primeiro. Você está conectado com seus sentimentos? Nota quando está se sentindo feliz, triste, bravo ou assustado? Você deixa essas sensações virem à tona e serem expressadas? Se você tende a reprimir suas emoções em vez de deixá-las fazer parte de sua vida, trabalhe para senti-las mais profundamente.

    • É muito comum evitar sentimentos negativos. Por exemplo, é mais divertido se distrair com a televisão ou ir para o bar do que sentar e pensar sobre algo chato que aconteceu. Mas deixar essas emoções de lado cria uma desconexão ou falta de familiaridade. Como você espera sentir a tristeza de outra pessoa quando não consegue expressar a sua própria?
    • Tire um tempo todos os dias para deixar as emoções fluírem. Em vez de bloquear os sentimentos negativos de maneira apressada, pense sobre eles. Fique bravo ou com medo e lide com os sentimentos de forma saudável, chorando ou escrevendo seus pensamentos ou discutindo o assunto com um amigo.
    2

    Escute com mais atenção. Ouça o que a pessoa estiver falando e note a inflexão na voz. Observe os pequenos sinais que indicam como a pessoa está se sentindo. Pode ser o lábio tremendo e os olhos brilhando. Talvez seja algo mais sutil, ela pode olhar muito para baixo ou parecer ausente. Esqueça-se de você por alguns instantes e absorva a história das pessoas.

    • Não julgue enquanto escuta. Se você começar a se lembrar de uma desavença que teve ou se sentir crítico em relação às escolhas da pessoa ou de qualquer forma que o tire do momento, se esforce para voltar para o modo ouvinte.[1]
    3
    Finja que é a outra pessoa. Você já leu uma história emocionante e tão envolvente que acabou se esquecendo de si mesmo? Você se tornou o personagem por alguns momentos e sabia exatamente como se sentiria vendo seu pai pela primeira vez em 10 anos ou perdendo algum ente querido. Sentir empatia pessoalmente não é muito diferente. Quando estiver escutando alguém e quiser muito compreender, chegará um momento em que vai sentir o que a outra pessoa está sentindo. Você terá um lampejo do que significa ser o outro.
    4
    Não tenha medo de ficar desconfortável. A empatia pode ser dolorosa! Absorver a dor de outra pessoa pode machucar e o comprometimento profundo exige um grande esforço. Talvez por isso ela esteja desaparecendo – é simplesmente mais fácil manter conversas leves para continuar na zona de conforto. Se quiser ser mais empático, não fuja do sentimento das pessoas. Aceite que elas terão um efeito sobre você e que poderá se sentir diferente depois. No entanto, terá uma compreensão mais profunda sobre a outra pessoa, formando uma base para a construção de uma conexão sólida.
    5

    Mostre a outra pessoa que se importa com ela. Faça perguntas que demonstrem que está escutando. Use a linguagem corporal para mostrar que está comprometido: faça contato visual, incline-se um pouco, não fique inquieto, balance a cabeça ou sorria em momentos apropriados. Todas essas atitudes são formas de demonstrar empatia no momento para que a pessoa que está compartilhando os sentimentos crie confiança em você. Se estiver distraído, desviar o olhar ou der sinais de que não está prestando atenção ou não está interessado, a pessoa provavelmente vai parar de desabafar.

    • Outra maneira de demonstrar empatia é compartilhar algo sobre você também. Ficar tão vulnerável quanto a outra pessoa pode gerar confiança e conexão mútuas. Abaixe sua guarda e se envolva na conversa.
    6
    Use a empatia para ajudar outras pessoas. Ser empático com alguém é uma experiência enriquecedora e é positivo deixar que esse conhecimento adquirido influencie suas próximas ações. Talvez isso signifique defender alguém que sofra constantes provocações, já que agora você consegue entender melhor aquela pessoa. A forma como você se comportará quando conhecer alguém ou seu ponto de vista em determinados assuntos políticos e sociais pode mudar. Deixe a empatia influenciar a maneira que você se comporta no mundo.
 Parte 2

Desenvolvendo uma empatia maior

  1. Esteja aberto para aprender mais sobre algo que não entende. A empatia surge a partir da vontade de saber mais sobre outras pessoas e outras experiências. Tenha curiosidade sobre a vida dos outros. Tenha como objetivo aprender o máximo que puder sobre outras pessoas todos os dias. Aqui vão algumas formas de estimular sua curiosidade:

    • Viaje mais. Quando visitar lugares desconhecidos, tente passar mais tempo com os locais e descubra mais sobre o modo de vida deles.
    • Converse com desconhecidos. Quando estiver sentado ao lado de alguém no ônibus, puxe assunto em vez de enfiar a cara em um livro.
    • Saia da rotina. Se você tem uma tendência a conviver com as mesmas pessoas e frequentar os mesmos lugares sempre, dê uma variada e comece a fazer novos amigos. Expanda um pouco seu universo.
    2

    Faça um esforço maior para sentir empatia por pessoas das quais não gosta. Se perceber áreas com pouca empatia, tente mudar a maneira como se sente ou pelo menos ter um entendimento maior sobre pessoas e grupos dos quais não gosta. Assim que sentir repulsa por alguém, pergunte a si mesmo o porquê. Decida que, em vez de falar mal ou evitar aquela pessoa, você se colocará no lugar dela. Descubra o que pode aprender sendo empático com pessoas das quais não gosta.

    • Lembre que mesmo não conseguindo chegar a um acordo, ainda é possível sentir empatia. Você pode sentir empatia por alguém que não gosta. E quem sabe se abrindo um pouco possa encontrar motivos para mudar de ideia sobre aquela pessoa.
    3

    Pergunte às pessoas como elas se sentem. Essa é uma maneira simples de gerar empatia no dia a dia. Em vez de evitar as conversas emotivas, pergunte aos outros sobre seus sentimentos com mais frequência, e ouça as respostas de verdade. Isso não significa que toda conversa tenha que ser profunda, solene e filosófica. Mas perguntar às pessoas como elas estão se sentindo pode ajudar você a se envolver verdadeiramente e realmente enxergar a pessoa com quem está conversando.[2]

    • O outro lado da moeda é responder com mais sinceridade quando alguém perguntar como você se sente. Em vez de dizer Bem! quando na realidade está triste, por que não dizer a verdade? Veja o que acontece quando você expressa suas emoções em vez de reprimi-las.
    4
    Leia e assista mais ficção. Absorver um monte de histórias em forma de novelas, filmes e outras mídias, é uma boa maneira de desenvolver seu senso de empatia. Estudos mostram que a literatura ficcional melhora a habilidade de ser empático na vida real.[3] Ela ajuda a criar o hábito de imaginar como seria sua vida na pele de outra pessoa. A catarse de rir e chorar com um personagem pode fazer com que você fique mais emocionalmente aberto para as pessoas.
    5

    Pratique a empatia com alguém de sua confiança. Se estiver com dificuldade para descobrir se você é empático, treine com alguém. Explique à pessoa que você está tentando trabalhar essa característica para que ela entenda se você não se sair bem. Peça a essa pessoa para dizer como se sente e treine os passos acima. Diga como você se sente em relação ao que ela lhe contou.[4]

    • Veja se os sentimentos correspondem. Se a pessoa expressou tristeza e você se sentiu triste enquanto ela estava falando, você interpretou as emoções corretamente.
    • Se os sentimentos não corresponderam, talvez você deva ficar um tempo se dedicando a entrar em sintonia com seus próprios sentimentos e praticando o reconhecimento das emoções de outras pessoas
Parte 3

Entendendo o poder da empatia

  1. Veja isso como um compartilhamento de emoções. A empatia é a habilidade de sentir junto com alguém. Ela exige que você ultrapasse a superfície e experimente as mesmas emoções que outra pessoa. É fácil confundir empatia com simpatia, que é sentir pena de alguém em um momento difícil e tomar uma atitude para ajudar. Mas a empatia vai além: em vez de sentir por alguém, você sente com alguém.

    • Por exemplo, digamos que sua irmã começou a chorar quando estava contando que o namorado terminou com ela. Vendo as lágrimas caírem e ouvindo ela descrever o que houve, você sente sua própria garganta fechar. Você não sente apenas dó dela, você também se sente triste. Isso é empatia.
    • Outra forma de enxergar a empatia é como um entendimento compartilhado, uma habilidade de se projetar na experiência de alguém. A ideia de tentar andar uma longa distância usando os sapatos de alguém é uma boa descrição da empatia.
    • Ser empático significa compartilhar qualquer tipo de emoção – não precisa ser negativa. É estar sintonizado com todos os sentimentos e emoções de alguém para ter uma noção de como é ser aquela pessoa.
  2. Entenda que você pode sentir empatia por qualquer um. Não é preciso ter uma história parecida para sentir empatia, pois ela não significa dividir um entendimento por já ter passado pela mesma situação. Aliás, é possível ter empatia por pessoas com as quais você não tem nada em comum. Ser empático é sentir o que a outra pessoa está sentindo – o que quer que seja. Não precisa ser algo que já sentiu antes.

    • Isso significa que você pode sentir empatia por qualquer pessoa. Um jovem pode sentir empatia por uma pessoa idosa em um asilo, ainda que nunca tenha passado por aquilo. Uma pessoa rica pode ter empatia por um sem-teto, mesmo que sempre tenha tido casa e comida. Você pode sentir empatia por um desconhecido no trem do outro lado da rua.
    • Para explicar de outra forma, ser empático não significa imaginar como seria a vida de alguém – significa realmente sentir como é a vida para alguém, em um nível emocional.
  3. Entenda que não é preciso concordar com alguém para sentir empatia por ele. Aliás, é possível ser empático com alguém com quem você discorda completamente e até mesmo de quem não gosta. Essa pessoa também é humana e tem as mesmas emoções que você. Pode não ser fácil, mas é possível sentir empatia pela dor e sofrimento daquela pessoa, assim como sentiria por alguém que ama.[5]

    • Por exemplo, digamos que seu vizinho é contrário aos seus ideais políticos e sempre diz coisas que você considera totalmente erradas. Mesmo se visse ele machucado, iria acudi-lo.
    • Pode ser ainda mais importante desenvolver a habilidade de sentir empatia por pessoas que não gosta. A empatia ajuda a enxergar todas as pessoas como seres que precisam de amor e consideração, independente de qualquer coisa. Ela cria a possibilidade de paz.
  4. Esqueça a regra do não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você. George Bernard Shaw disse: Não tente tratar os outros como gostaria de ser tratado – os gostos podem ser diferentes. A “regra de ouro” não se aplica quando se trata de empatia, pois ela não ajuda a entender como é ser a outra pessoa. Ser empático significa abrir a si mesmo ao ponto de vista de outra pessoa e seus gostos, em vez de impor a ela sua própria experiência e ideias.

    • Pensar em como gostaria de ser tratado pode servir como ponto inicial pra o respeito e a conscientização, mas, para ser empático você deve ir além. É um desafio colocar isso em prática e pode ser desconfortável, mas quanto mais você fizer, mais entenderá as pessoas ao seu redor.
  5. Entenda por que a empatia é importante. Ela melhora a qualidade de vida tanto no nível pessoal quanto social e te ajuda a se sentir mais conectado com as pessoas ao seu redor e a criar um senso de significado compartilhado. Além disso, a habilidade dos humanos de sentir empatia por pessoas diferentes de si mesmos traz enormes ganhos sociais. Ela ajuda indivíduos e grupos a superarem o racismo, a homofobia, o sexismo, o classicismo e outros problemas da sociedade. É o alicerce para a cooperação social e ajuda mútua.[6] Sem empatia, onde estaríamos?

    • Um estudo recente demonstrou que o nível de empatia entre colegas estudantes caiu 40% nos últimos 20 a 30 anos.[7] Isso sugere que a empatia é, pelo menos em partes, algo que pode ser aprendido e desaprendido.
    • Ao entrar em contato com seu senso de empatia e fazer dele uma prioridade todos os dias, você pode melhorar sua habilidade de ser empático – e ver como sua vida melhora em consequência disso.

Dicas

  • Use sua percepção e suas emoções como referência e também para dar sugestões.
  • A empatia não é um processo físico e definido. Ela pode ser espontânea (inclusive indesejada) ou pode acontecer pelo simples vislumbre de um acontecimento.
  • É provável que você não consiga formar um panorama completo, mas isso não é um problema.
  • Ela exige um mente ativamente solidária para funcionar adequadamente. E nem sempre funciona.
  • Se estiver com dificuldade para imaginar uma situação, tente fazer uma comparação com uma experiência própria semelhante àquela que está tentando visualizar.
  • Não acredite que somente a sua visão da situação é a correta; todos terão pontos de vista diferentes.

Avisos

  • Se as emoções forem fortes o suficiente, elas podem lhe deixar com sentimentos parecidos depois. Isso pode ser perigoso no caso de uma situação deprimente. Se acontecer, não se preocupe, tente pensar em lembranças felizes para combater a empatia depressiva com empatia alegre.

dechen

0

Criamos manuais para quase qualquer coisa e pensamos que podemos planejar absolutamente tudo, afetando desse modo a nossa capacidade criativa, de pensar e de sentir. O curta a seguir nos ensina que é fundamental parar de interferir no que é natural se quisermos evoluir e crescer.

Gostamos muito de ser controladores e ter o controle sobre as coisas. Vivemos com a intenção de manipular cada detalhe, queremos que as coisas funcionem como pensamos e tentamos fazer valer nossos planos. Mas a verdade é que se pretendemos que nossos projetos se desenvolvam, temos que ser conscientes de que não podemos estar totalmente seguros sempre de que o que queremos fazer e o que decidimos vai dar certo.