reflexão

sabe … entro numa sala de aula,numa turma de 35 alunos com a função de, seguindo alguns princípios, ministrar conhecimento filosófico: reflito:

  • cada indivíduo – eu incluso – é único – mas estamos ali – querendo ou não, dentro de um sistema hermético reproduzindo a sociedade como ela é – e penso: a sala de aula é o lugar do erro, da possibilidade de uma construção isenta de dogmas, da manifestação do homem como ser político … de necessidade de se responsabilizar no sentido de se sentir parte e querer contribuir ..
  • mas dentro do sistema os alunos se anestesiam e não querem contribuir, não querem se escutar  : estarão distraídos? e eu ? … eu quero sossego – e confesso que tenho vergonha (*¹) e algumas vezes ou outras eu falto por não saber o que fazer (me entende?) : então tem o aluno e sua carência que só o fato de eu ir e não fazer nada já vai fazer diferença na vida do moleque – então eu vou – só por isso – e vou aberto mesmo – querendo ajudar – dizem que ser professor é algo raro: conheço alguns: imagino : a presença de Sócrates ou de Aristóteles … numa situação que não se davam ao trabalho de ser humildes …- voltando – então tô eu : entro na sala de aula
  • as escolas tem um planejamento arquitetônico péssimo – feitas pra ser neutras – e os alunos alí : condicionados – e eu – mais um – me sentindo responsável – culpado de ter que fazer algo – de ajudar, de valorizar a existência …  – tem vezes que não quero estar presente e isso não é ruim . e ainda assim prefiro não ir que não ter o que dizer – o mal é essa responsabilidade (e me responsabilizo : não pelo emprego e toda meritocracia imposta) – mas pela oportunidade de ser coerente – Professor : só o fato de estar alí, já direciona – …e me responsabilizo : percebo : o que estou fazendo pra contribuir ? : como ser um bom exemplo e ser humano… em fazer questionar seu modo de vida:
  • então : não basta o fato de saber (ser intelectual) = mas se sabe passar : se preocupar se pra quem voce quer orientar está afim de ser orientado – de entender o professor como um guia – de permitir a autonomia – mas como isso ? penso a cada conflito : qual meu erro? será que existe algo que eu possa faze pra afetar todos ?pra ser entendido? penso se estou errado em querer que o educando queira me ouvir, até entendo sua revolta de estar num sistema que não se concorda – mas será possível mostrar que existe algo ali? existirá um discurso que eu possa me apossar? será uma prática – um jeito? dai eu vou pra sala – naquele trabalho de sísifo .
  • existir é ter um motivo – é fé
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Um pensamento sobre “reflexão

  1. Sabe que eu também tenho a impressão que as escolas são desconfortáveis e feias de propósito. Quem quer pessoas pensando e felizes com isso?

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